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Mais uma vez, conta de luz tem peso maior no índice da inflação

Após atingir em junho a maior taxa em 23 anos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, teve variação de 0,33% em julho – valor abaixo do 1,26% registrado no mês anterior. Os custos com energia elétrica, habitação e transportes foram os que mais pesaram no IPCA de julho e, portanto, no bolso dos trabalhadores e trabalhadoras.

Contas de luz

Os preços dos serviços regulados pelo governo, como a energia elétrica, teve alta de 5,33% no mês e foi o principal responsável pelo impacto no índice, respondendo sozinho por 0,20 ponto percentual da variação.

Além da vigência da bandeira tarifária vermelha – patamar 2, que acresce na conta R$ 5 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já aprovou, de janeiro a julho de 2018, reajustes de tarifas de diversas distribuidoras de todas as regiões do País, com impactos nas contas de luz que variam de 5% a 21,51% – um valor muito acima do IPCA.

Diferente do que ocorreu no governo da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff, quando, em 2011, as contas de luz dos brasileiros foram reduzidas depois do pagamento dos investimentos em construção de usinas, o ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) quer manter esse valor nas contas mesmo após a quitação das dívidas e ainda quer que os consumidores paguem R$ 1,4 bilhão a mais para cobrir o alegado déficit do setor elétrico, conforme divulgado pela Aneel nesta terça-feira (7).

IPCA em julho

No acumulado em 12 meses, a inflação ficou em 4,48%. Já no acumulado nos sete primeiros meses deste ano, a alta é de 2,94%. Além do custo da energia elétrica, os preços relacionados à habitação (alta de 1,54%) e transportes (alta de 0,49%) foram outros itens que mais pesaram no IPCA de julho.

No grupo habitação, além da alta na conta de luz, contribuiu para puxar a inflação a variação de 0,69% na taxa de água e esgoto devido aos reajustes nas tarifas de São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Goiânia.

No segmento transportes, a alta mensal foi puxada pelos preços das passagens aéreas (44,51%) e do ônibus interestadual (8,7%). Por outro lado, houve queda nos preços dos combustíveis (-1,8%), com deflação nos preços da gasolina (-1,01%) e do etanol (-5,48%), que haviam subido, respectivamente, 5% e 4,22% em junho. O diesel, cujo preço está congelado nas refinarias, recuou 2,39% em julho.

Alimentos têm deflação

Já os grupos alimentação, vestuário e educação tiveram deflação e foram os principais responsáveis pela desaceleração do índice na comparação com junho.

Os preços do grupo alimentação e bebidas caíram 0,12% em julho, após registrar em junho a maior alta dos últimos 29 meses (2,03%). As principais quedas foram na cebola (-33,50%), batata-inglesa (-28,14%), tomate (-27,65%), frutas (-5,55%) e carnes (-1,27%).

E entre as altas, os destaques foram o leite longa vida (11,99%), que novamente apresentou índice alto (passou de 2,65% em maio para 15,63% em junho), e o pão francês (2,22%).

Inflação por regiões

Dentre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, quatro tiveram índice superior a 0,33%: São Paulo (0,63%), Rio de Janeiro (0,59%), Brasília (0,58%) e Rio Branco (0,51%). Outras seis registraram deflação no mês: Goiânia (-0,05%), Aracaju (-0,06%), Recife (-0,07%), Fortaleza (-0,09%), São Luís (-0,28%) e Campo Grande (-0,37%).

O maior índice foi na região metropolitana de São Paulo (0,63%) devido a alta de 10,08% na energia elétrica, seguido pelo leite longa vida (11,46%) e passagem aérea (45,77%). O menor índice foi de Campo Grande (-0,37%), com registro de quedas nos preços da cebola (-41,38%), batata-inglesa (-38,01%), tomate (-31,34%), e na gasolina (-2,98%).

Fonte: CUT Nacional

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